O prêmio Nobel e "A traição das (nossas) elites"
Impressionante a clareza com que o autor, Gabriel Picavêa Torres, nos traduz a genialidade da obra dos laureados com o Prêmio de Economia em Honra de Alfred Nobel de 2024 (o Nobel da economia) no artigo intitulado "A traição das elites". Permite assim obtermos um síntese da obra e seu significado para o entendimento do mundo em que vivemos, focando o problema da desigualdade social nas diferentes civilizações.
A despeito da enorme redução, comum a toda síntese, Gabriel vai ao cerne das origens e expõe a exploração do povo pelas as elites como principal causa da desigualdade apontada pela obra dos autores.
Este blog, O Cidadão, sem a pretensão de substituir a leitura do artigo mencionado (endereço abaixo) tenciona despertar sua atenção, caro (ou raro) leitor, reproduzindo trechos que dão a idéia de seu conteúdo.
"As elites, portanto, têm um papel fundamental no modelo de construção institucional dos autores. Elas podem ser parte do problema, quando promovem instituições extrativistas em prol de seu exclusivo interesse em detrimento do que acontece com os demais indivíduos de suas sociedades. Mas podem também ser parte da solução, quando passam a ter uma visão de longo prazo sobre seus interesses e percebem que têm muito mais a ganhar em um país onde os demais indivíduos são mais prósperos, mais educados e podem perseguir seus interesses para se tornarem parceiros das empreitadas dessa própria elite."
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"o agora clássico trabalho de Robinson, Acemoglu e Johnson nos ensina que não apenas intelectuais, mas também qualquer membro de uma elite trai seu papel de liderança quando se engaja na construção (ou na manutenção) de instituições extrativistas.
Assim como os colonos ibéricos que aqui chegaram, todos os dias aqueles que podem influenciar e liderar (grifo O Cidadão) na academia, na imprensa, nos órgãos de estado, nas empresas, nas comunidades, em organizações filantrópicas e em projetos de ativismo também têm uma escolha a fazer. Empresários podem escolher seguir sua vocação e otimizar os processos produtivos em sua empresa, ou alocar seu tempo nos corredores de Brasília fazendo lobby por uma proteção especial que os proteja da concorrência. Servidores públicos podem exercer seu compromisso de executar o trabalho de forma técnica, ou violá-lo para atingir suas preferências políticas pessoais que não fazem parte do exercício do cargo. Nossos magistrados, em qualquer instância, podem escolher seguir a letra fria da lei, ou compactuar com interpretações flexíveis dela, muitas vezes difíceis de encontrar no seu texto ou na jurisprudência. Os editores de jornais também podem escolher relegar as opiniões sobre os fatos às colunas de opinião, ou publicá-las nas páginas de reportagens como se fatos fossem."
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"O grande ensinamento do Nobel de 2024 é uma verdade inconveniente, da qual se desconfiava há muito tempo, mas que agora encontra provas irrefutáveis para explicar a trajetória de pobreza e desperdício em que o Brasil se encontra. É a elite que cria e alimenta todos os dias nossas débeis instituições se (e quando) trai sua vocação de agir como líderes íntegros para construir boas regras do jogo, em troca de pequenos benefícios espúrios. "
Fonte: https://estadodaarte.estadao.com.br/sociedade/a-traicao-das-elites/

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