É +14,22%, estúpido!



  Há dias o debate na mídia política versa sobre as "causas" da debacle na popularidade do Lula3. Um índice negativo de -17% (aprovação- desaprovação), conforme último Datafolha, comprovando tendência de queda aqui já anunciada.

  As explicações, em regra, incluem a supremacia da oposição nas redes sociais, notadamente a "Fake News do Pix", que afinal se revelou não ser tão fake, já que a Receita Federal visava, de fato, conseguir detectar evasões tributárias pela ampliação das informações sobre essa forma de pagamento, notadamente pelas chamadas "fintechs", e a "Taxa das Blusinhas".

  Também não deixam de apontar a incompetência da Secom e seu antigo ministro por não conseguir divulgar, a contento, "os feitos" do governo.

  E, para não ficar apenas nas nuvens, ou seja no mundo das narrativas, uma parcela de tal revés é atribuída, finalmente , à inflação de alimentos, a qual, segundo o discurso oficial (IBGE) estaria em 7,69%. 

Mas, tal inflação seria, ou deveria ser,  compensada pelo baixo desemprego, aumento da massa salarial, reajuste do salário mínimo acima da inflação, crescimento do PIB e outros sucessos de bilheteria do Lula3, argumentam os economistas listados nas folhas de pagamentos oficiais ou a seu serviço.

  Não ocorreu a tais escribas, em seus escritórios com ar condicionado, que sob o sol escaldante do Nordeste brasileiro e nos guetos e favelas, onde reside o grosso do eleitorado lulista, os eleitores simplesmente não participam dessa festa da estatística oficial. Ou melhor, sua participação nos números oficiais da economia se dá notadamente no lado do gasto social, do bolsa família, bolsa gás e congêneres, e na economia informal, onde o valor do salário mínimo não se traduz em coisa alguma.

  Essa parcela da população, que vive de programas sociais e bicos no trabalho informal, luta diariamente para conseguir comprar os alimentos necessário à sua sobrevivência e pagar os meios de transporte necessários ao seu modo de vida. Ou seja, suas despesas fundamentais são com cesta básica e o custo do transporte. 

  Assim, enquanto a inflação oficial, o IPCA, é aferida em +4,83%, o típico eleitor do Lula3 se depara com a inflação da gasolina em 9,39%, e das gôndolas dos supermercados em +14,22%,  conforme divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). 

  Mas, ainda pior, são esses dois fatores que vão, ao fim e ao cabo,  determinar  aumentos ainda maiores dos preços, e consequente perda do seu poder de consumo, nas quitandas e mercados da região onde esse eleitor habita.

  Resumo da ópera, o governo deveria atentar é para drástica redução da renda do seu eleitor pela corrosão da inflação no seu habitat, mais próxima dos 15% da cesta básica, que do índice oficial de quase +5% do IPCA, a partir do qual acredita na miragem do aumento da renda dos trabalhadores.
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Preço médio da gasolina subiu 9,39% no acumulado de 2024.

Fonte: https://www.infomoney.com.br/economia/preco-medio-da-gasolina-subiu-939-no-acumulado-de-2024-diz-ticket-log/
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Diesel: aumentos foram de 3,85%, no combustível comum, e de 2,79% no S-10.

Fonte:
(https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/politica-economia/391615-diesel-comum-sobe-3-85-e-tipo-s-10-2-79-no-acumulado-de-2024-segundo-edenred-ticket-log.html)
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"A escalada inflacionária está comprometendo quase 80% do orçamento das famílias das classes D e E com o custeio de itens essenciais. O levantamento feito pela consultoria Tendências e publicado pelo Estadão confirma a máxima de que a inflação recai de forma mais intensa sobre os mais pobres, corroendo drasticamente o poder de compra e elevando a insegurança financeira."
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" O comportamento dos preços no ano passado mostrou o deslocamento da inflação dos alimentos (alta de 7,69%) em relação ao IPCA geral, de acordo com o IBGE. Nas gôndolas dos supermercados a população sente com maior vigor a carestia, que é tanto maior quanto mais trivial a lista de compras. Basta conferir a alta de dois dígitos da cesta básica em 2024, calculada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras): 14,22%."

Fonte: https://www.estadao.com.br/opiniao/o-consumidor-encurralado/

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