Entendendo o plano Milei. É questão de tempo a explosão dos juros na Argentina.
O plano Milei de combate a inflação
A inflação é o aumento dos preços, ou de outro modo, a perda de valor da moeda. Como "desenha" Kupfer, inflação não significa preços altos ou baixos, e sim aumento dos preços num dado intervalo de tempo. Tampouco mede o desempenho da economia. Sua principal consequência é elevar substancialmente o grau de incerteza dos agentes econômicos, desestruturando os preços relativos. A perda da noção dos preços, se estão caros ou baratos, acarreta a queda nos investimentos e perda do poder de compra da população mais vulnerável, com menos capacidade de atualizar sua renda. Daí a necessidade de seu combate para o desenvolvimento da economia
Nessa frente, uma das maiores dificuldades reside em romper sua característica inercial, uma vez que o risco da incerteza conduz sempre ao aumento da inflação passada. Para romper tal expectativa os planos de combate à inflação costumam usar o dólar como referência e estabilizador de preços. Aí entra a questão do câmbio face à moeda do país.
Para romper com a inflação inercial os planos econômicos costumam recorrer a um câmbio supervalorizado, fortalecendo o valor da moeda nacional face ao dólar. Ocorre que o câmbio valorizado causa descompasso no comércio exterior e balanço de pagamentos, levando a um aumento explosivo da dívida externa pelo incentivo às importações e desestímulo às exportações, além de induzir a empréstimos externos, o que, a princípio, pode cobrir o déficit de transações na moeda, mas acaba levando ao estrangulamento da dívida externa do país.
Foi assim com o Real, que criou a URV, uma moeda temporária com equivalência ao dólar. Paridade que foi mantida, na marra, pela nova moeda, o Real, até o início do segundo governo FHC. Em 1999, reeleito, FHC enfim encerrou essa paridade e adotou o regime de metas, acompanhado de juros estratosféricos para segurar o valor do Real e permitir sua desvalorização gradual.
Milei adotou o controle do câmbio e fez do peso argentino a moeda de maior valorização no mundo em 2024, com cerca de 40% de valorização face ao dólar. Já o Real, no mesmo período, sofreu uma desvalorização de cerca de 10% em relação ao dólar, resultando em perda de valor de quase 50% em relação ao peso argentino. O que explica a invasão de " los hermanos" ao Brasil, face ao poder de compra de sua moeda, o que leva nossos preços serem atualmente uma verdadeira pechincha para os argentinos.
Mas, como todos sabemos, não existe almoço grátis. O plano Milei vem compensando a valorização do câmbio, que impulsiona importações e inibe as exportações, atuando no sentido inverso, com uma drástica redução dos gastos governamentais, notadamente no desmonte de políticas sociais, promovendo uma grave recessão na atividade econômica, o que se traduz na redução do consumo interno, logo n redução da importação e favorecimento das exportações para escoar a produção, pela perda de demanda interna, ainda que às custas de perda da rentabilidade.
Ainda assim, tal estratégia tem sua eficácia temporária, não sendo possível manter o controle cambial por muito tempo sem esgotar as já parcas reservas cambiais que dispõe, mesmo com a ajuda dos planos de recuperação negociados com o FMI para obtenção de dólares. Nesse sentido vem anunciando o fim do controle cambial para o ano de 2026, ou até ainda em 2025, se o FMI lhe ajudar obter mais dólares.
Se tiver obtido êxito no desmanche da inflação inercial, podemos esperar uma explosão dos juros internos por ocasião da retirada da âncora cambial, e em seguida uma gradual desvalorização cambial concomitante com a redução gradual dos juros, tal qual equivalente período do Plano Real no Brasil.
A expectativa então é uma drástica desvalorização dos ativos em renda variável, face uma elevada taxa de juros, e ganhos consideráveis em renda fixa até que se obtenha a desvalorização cambial em ponto de equilíbrio.
Isso no melhor cenário, caso não intervenha uma (nova) reviravolta política, reprisando a eterna novela bolivariana na economia, que há cinquenta anos vem se apresentando com a promessa do estado do bem estar social, gastando mais do que arrecada, sem entender ser esta a causa fundamental da inflação. A qual, ao fim e ao cabo, é o que sufoca e reprime o seu desenvolvimento econômico.
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Alta artificial do peso faz preços na Argentina explodirem para brasileiros
"Foi com desvalorizações programadas de suas moedas —o que era permitido, entre outros motivos, pelos altos níveis de poupança na sociedade—, que China e Coreia, por exemplo, se tornaram as potências econômicas que são hoje."
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"Enquanto promove a demolição indiscriminada, tanto do aparato governamental quanto das políticas públicas de suporte aos grupos vulneráveis e de atendimento da população em geral, Milei está aplicando a velha receita da taxa de câmbio artificialmente valorizada, na tentativa de ajustar a economia rapidamente."
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"No programa libertário de Milei, a cotação do dólar é controlada —um paradoxo. E é tal o controle que o peso argentino foi a moeda que mais se valorizou ante o dólar no mundo, em 2024, com alta real de quase 50%.
A excepcional valorização do peso explica por que, no último ano, os preços na Argentina ficaram pela hora da morte para brasileiros."
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"O dólar valorizado também estimula a captação de empréstimos em moeda estrangeira, o que, em princípio, cobre os deficits. A cobertura dos buracos externos com dívida em moeda externa avança até o ponto do estrangulamento, com declaração, na sequência, de traumáticas moratórias."
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Se, porém, a história serve de algum guia para avaliar o que se pode esperar do futuro, é questão de tempo para a explosão das comportas da crise."
Fonte: https://www.poder360.com.br/opiniao/dolar-furado/
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Dólar furado
"Foi com desvalorizações programadas de suas moedas —o que era permitido, entre outros motivos, pelos altos níveis de poupança na sociedade—, que China e Coreia, por exemplo, se tornaram as potências econômicas que são hoje."
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"Enquanto promove a demolição indiscriminada, tanto do aparato governamental quanto das políticas públicas de suporte aos grupos vulneráveis e de atendimento da população em geral, Milei está aplicando a velha receita da taxa de câmbio artificialmente valorizada, na tentativa de ajustar a economia rapidamente."
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"No programa libertário de Milei, a cotação do dólar é controlada —um paradoxo. E é tal o controle que o peso argentino foi a moeda que mais se valorizou ante o dólar no mundo, em 2024, com alta real de quase 50%.
A excepcional valorização do peso explica por que, no último ano, os preços na Argentina ficaram pela hora da morte para brasileiros."
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"O dólar valorizado também estimula a captação de empréstimos em moeda estrangeira, o que, em princípio, cobre os deficits. A cobertura dos buracos externos com dívida em moeda externa avança até o ponto do estrangulamento, com declaração, na sequência, de traumáticas moratórias."
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Se, porém, a história serve de algum guia para avaliar o que se pode esperar do futuro, é questão de tempo para a explosão das comportas da crise."
Fonte: https://www.poder360.com.br/opiniao/dolar-furado/
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"A paridade do real com o dólar durou apenas três anos. Em 1999, após iniciar seu segundo mandato, o presidente Fernando Henrique Cardoso e sua equipe econômica anunciaram o fim da política. O câmbio flutuante livrou o governo de segurar a cotação da moeda, o que causava um forte descontrole na dívida externa."
Fonte: https://www.infomoney.com.br/mercados/em-30-anos-dolar-chegou-a-valer-menos-de-r-1-e-bateu-recorde-em-2002-relembre/
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Consequências da inflação
A inflação gera incertezas importantes na economia, desestimulando o investimento e, assim, prejudicando o crescimento econômico. Os preços relativos ficam distorcidos, gerando várias ineficiências na economia. As pessoas e as firmas perdem noção dos preços relativos e, assim, fica difícil avaliar se algo está barato ou caro. A inflação afeta particularmente as camadas menos favorecidas da população, pois essas têm menos acesso a instrumentos financeiros para se defender da inflação.
Inflação mais alta também aumenta o custo da dívida pública, pois as taxas de juros da dívida pública têm de compensar não só o efeito da inflação mas também têm de incluir um prêmio de risco para compensar as incertezas associadas com a inflação mais alta."
Fonte: https://www.bcb.gov.br/controleinflacao/oqueinflacao

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