O porquê Trump ganhou a eleição (É a economia, estúpido!)
A pergunta do momento é o que levou a impressionante vitória de Trump já que a economia americana vem mostrando números excelentes, seja no crescimento do PIB, seja na inflação, na impressionante valorização da bolsa etc.
É a economia, estupido!
Será que dessa feita o slogan criado em 1992, pelo economista e marqueteiro James Carville, para a vitória de Bill Clinton contra a reeleição de George Bush (pai), demonstrando que norte-americanos estavam mais preocupados com a crise econômica, preços altos, dificuldade em comprar imóveis e o custo de vida do que com guerras, imigrantes, segurança etc.
O diabo mora nos detalhes
Mas um olhar atento, estratificando os números da economia americana, vemos que sim: é a economia, estúpido!
Por certo nunca é causa uma isolada, mas sem dúvida a motivação principal é a economia. Ocorre que a desigualdade vem aumentando no governo Biden e a melhoria da renda ficou restrita ao terço de renda superior da sociedade enquanto a maioria da baixa renda ficou com a inflação e impostos.
Quem descreve bem o fenômeno não é um esquerdista, mas um dos maiores gestores de fortunas do mundo, Ruchir Sharma. Além de autor de livros de sucesso na economia Sharma é presidente da empresa de gestão de patrimônio Rockefeller Capital, uma das maiores do mundo, com 122 bilhões de dólares em ativos sob gestão, além de ser fundador da Breakout Capital, scritório de investimentos focado em mercados emergentes. Antes foi um investidor de mercados emergentes na Morgan Stanley Investment Management.
Para o Brasil é importante pois como Presidente de uma das maiores gestoras de patrimônio do mundo revela por que não traz seus cheques para o Brasil. Vejamos abaixo:
"Para a maioria dos americanos, o crescimento dos Estados Unidos é uma miragem, puxado pelo aumento da riqueza e dos gastos discricionários dos consumidores mais ricos e distorcido pelos crescentes lucros das grandes empresas. Os tempos parecem ser bons, mas esse crescimento é desigual, frágil e altamente dependente dos gastos e do endividamento do governo, que em geral é o credor de última instância."
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"Os 40% mais pobres em renda agora representam 20% de todos os gastos, enquanto os 20% mais ricos respondem por 40%. É a maior diferença já registrada nos EUA e é provável que se amplie ainda mais, segundo a consultoria Oxford Economics. Agora, a maioria dos americanos precisa gastar uma fatia tão grande de seu dinheiro nos itens essenciais, como os alimentos, que pouco sobra para extras como viagens ou jantares fora."
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"Os Estados Unidos cada vez mais se parecem a uma economia folhada a ouro, com uma camada reluzente, mas superficial. No setor empresarial, as dez maiores empresas respondem por 36% do valor de mercado das ações - um recorde desde que os dados começaram a ser registrados, em 1980."
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"Normalmente, no entanto, booms econômicos costumam ser financiados por aumentos do endividamento do setor privado. O governo apenas aumenta o seu depois, para ajudar a suavizar o impacto quando o boom perde força. *Desta vez, quem está abrindo o caminho é o governo; seu déficit mais do que dobrou nos últimos dez anos. Ultrapassou os 6% do Produto Interno Bruto (PIB) e projeta-se que crescerá ainda mais nos próximos anos. A dívida pública está explodindo. Aumentou em US$ 17 trilhões nos últimos dez anos,* tendo igualado nesse período o aumento dos 240 anos anteriores - quase desde a independência dos EUA."
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"Há dois anos, com o fim da era de juros zero, os chamados “vigilantes dos títulos” acordaram de um longo sono e começaram a punir [vendendo seus papéis] a imprudência fiscal de alguns países, primeiro, os mercados de fronteira, como Sri Lanka e Gana, *depois, os emergentes como Brasil e Turquia,* e, mais recentemente, os desenvolvidos, a começar pelo Reino Unido e, agora, a França."
https://valor.globo.com/opiniao/coluna/boom-economico-dos-eua-e-uma-miragem.ghtml
https://veja.abril.com.br/paginas-amarelas/aumento-da-intervencao-do-estado-prejudica-economia-diz-investidor-ruchir-sharma

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